terça-feira, 12 de julho de 2016

Já ouviu falar de Patativa do Assaré? Pois devia...







Estava me lembrando de uma grande figura humana que tive o imenso prazer de conhecer e que partiu há 14 anos: o poeta popular Patativa do Assaré.
O nome dele era Antônio Gonçalves da Silva, e mal sabia o bêabá, como se diz, mas lia tudo que encontrava pela frente com o único olho que lhe restava. E fazia versos com tamanha perfeição que recebeu seis títulos de doutor Honoris Causa de universidades nordestinas, além de outras homenagens, e foi considerado um dos mais importantes poetas do Ceará, com 13 livros publicados.














Sim, ele era cearense. Nasceu, sempre viveu e morreu na cidade de Assaré, a 490km de Fortaleza. Numa casa de pau a pique, limpíssima, com retratos dos filhos, do Padim Padre Cícero e outros santos nas paredes. Teve 9 filhos com a fiel companheira Belinha, com quem esteve casado por 60 anos. Sua morte, 8 anos antes, o deixou arrasado.

O trabalho de Patativa se diferencia dos outros porque é muito oral. Ele sabia de cor todos os seus poemas, e são mais de mil! Imagine que memória prodigiosa... Vê-lo em ação era uma festa: ele recitava os versos usando a voz, a entonação, as pausas, o ritmo e a linguagem corporal, até os pigarros, para enfatizar trechos mais importantes. Um performer.
Suas apresentações se davam nas rádios e em festivais, sempre muito aclamado. Quase um superstar.
Houve uma época em que Patativa foi considerado subversivo, porque criticava com seus versos a dominação econômica sofrida pelos trabalhadores rurais. Ele mesmo se considerava “um lavrador que poetava” por isso sua poesia era comprometida com as lides da terra.














Patativa influenciou vários poetas nordestinos e foi parceiro de Luiz Gonzaga. O grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado foi um dos que bebeu na fonte do poeta para compor suas letras.

Em 2009, ano do centenário de seu nascimento, Patativa foi homenageado com o projeto Patativa do Assaré Encanta em Todo Canto. Nele, um caminhão percorreu 95 municípios do Ceará difundindo a poesia popular.












Em 1975 eu estava na equipe do documentário Nordeste – Cordel, Repente, Canção, da cineasta Tânia Quaresma, quando fomos na casa dele para entrevista-lo para o filme. Era a mesma casa onde tinha nascido, no seco sertão cearense. Muita poeira e sol de rachar. Patativa já estava um pouco surdo e não quis que a gente  ligasse o gravador, nem a câmera, assim de cara. Sugeriu uma conversinha pra cada um se conhecer melhor.
- Não quero que você escreva porque eu prezo a minha voz. Prezo o que eu digo. Depois que a gente se conhecer, a gente grava.
E assim foi. Depois falou e falou. Ele e dona Belinha.
Isso faz muito tempo, mas me lembro de uma frase que ele disse e que me serve pra vida:
- A gente aprende a ler o mundo e a natureza, antes de aprender a ler as palavras. Só precisa ter olho pra ver e ouvido pra ouvir.













Já dona Belinha era a parte engraçada do casal.
Eles tinham um cachorrinho vira-lata, tipo Baleia, de Vidas Secas, com o nome de Resuvio. Assim mesmo. R.e.s.u.v.i.o. Eu perguntei: porque esse nome, dona Belinha? E ela explicou:
- Resuvio foi o vuRcão mais importante já inventado pelo homem. Ele é danado, e ninguém consegue parar. Assim mesmo é meu cachorro.

Isso tá no filme.
Muito amor por esses brasileiros...
Abaixo, Patativa recitando um poema.


domingo, 10 de julho de 2016

Dias de morgação e curiosidade.


Tive um dia de morgação, meio deitada, um pouco tonta quando ficava de pé... o olho que fez a cirurgia (o da hipermetropia) é o que já via melhor e tinha menos catarata, e agora está vendo incrivelmente bem, com a maior nitidez. O branco é quase fluorescente de tão claro. Mas o outro olho, que é míope, continua com apenas 20% da visão e a catarata. Então a diferença entre os dois graus é enorme. O que me dá essas tonturas e vontade de vomitar. É incrível como o sentido da visão é importante para o equilíbrio do nosso corpo...

Mas o dia está lindo, com sol e brisa, e como o médico mandou que eu usasse o olho o mais que pudesse, fiquei brincando no computador, aleatoriamente, vendo somente aquelas coisas bestas que fazem rir e trazem informações novas sobre assuntos variados.

E, claro, que vim fazer um post aqui, porque não quero ficar ausente por muito tempo da Central do Textão. Então estou listando algumas coisinhas interessantes que andei lendo por aí nesses passeios sem rumo e que eu não sabia.
Aposto que muitas delas vocês também não sabiam...

::: A língua portuguesa fez 802 anos em 2016. O marco dessa efeméride é o Testamento de Afonso II, datado de junho de 1214, o primeiro documento com convenções gráficas mais ou menos estáveis do português de que se tem notícias. Hoje o português é um dos dez idiomas mais falados do mundo.

::: A arvore mais antiga do mundo tem mais ou menos 1.800 anos e fica na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. É uma Quercus virginiana, uma espécie de carvalho nativo, tem 22m de altura, uma circunferência de quase 15m e cobre 450m² quadrados de terreno. Seus galhos são tão grandes que encostam no chão e precisam ser sustentados por cabos de aço. 














::: Segundo o Dicionario Aurelio Digital, a fêmea do 'peixe boi' é chamada de 'peixe mulher'... Os dois estão em extinção.














::: Caetano contou numa entrevista que a primeira vez que Pina Bausch veio ao Rio chamou ele pra dançar um tango. E ele improvisou porque não sabia dançar. Depois, na segunda vinda da bailarina, ele a convidou e a seu grupo pra dançar forró e Pina arrasou. Dançou muito e foi a última a deixar o salão.















::: No planeta Mercúrio um ano leva apenas 88 dias. Deve ser mais fácil sentir saudade lá. A menor saudade do sistema solar.

::: Robert Downey Jr começou a trabalhar no cinema aos 5 anos, em 1970.




::: Bruce Wayne é sócio majoritário do jornal Planeta Diário onde Clark Kent trabalha. Ou seja, Batman paga o salário de SuperHomem.















::: A cabeça de um ser humano permanece consciente por 6 segundos após ser decapitada.

::: A Terra é o único planeta onde a água pode se apresentar nos três estados (sólido, líquido e gasoso).



















::: O lago Retba é completamente cor de rosa e fica localizado no Senegal, África.



















É isso aí, amigos...

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Festa no céu: Juno encontra Jupiter.

















Assine o Estadão All Digital + Impresso todos os dias
Siga @Estadao no TwitteA grande notícia para os cientistas hoje é a entrada da sonda Juno, na órbita de Júpiter.
A sonda da NASA está viajando há cinco anos movida a energia solar, e percorreu 2.800 milhões de quilômetros até alcançar Júpiter. O objetivo da missão é desvendar a estrutura do planeta, e assim coletar informações sobre o início do sistema solar e como os planetas se formaram. A estratégia da missão é se aproximar, recolher dados e sair. 

O problema maior é conseguir navegar ileso pela sua orbita, porque, como diz um cientista, Júpiter é  “um monstro que gira a tal velocidade que faz com que sua gravidade lance pedras gigantes, cometas e raios cósmicos para fora". Juno terá de sobreviver ao momento vertiginoso de ser agarrada pela gravidade de Júpiter, 20.000 vezes mais forte do que a da Terra, e esse é o instante mais perigoso da missão, segundo dizem os cientistas da NASA.
Juno é a nona sonda enviada pela NASA para estudar o planeta, desde 1974, mas só uma conseguiu algum sucesso: a New Horizons, em 2007, que fez um vôo de três meses coletando algumas informações cientificas, mas foi destruída em seguida.
Para evitar estes danos, os cientistas puseram os circuitos da Juno dentro de um cofre de titânio de 1,7 centímetros de espessura, impedindo muitas partículas de atingirem o equipamento. 
Se tudo correr bem, a missão científica durará um ano. O suficiente para as 33 órbitas permitirem aos aparelhos analisarem toda a superfície de Júpiter. Apesar de todos os cuidados dos cientistas, a radiação que a Juno vai receber acabará por danificar o seu interior ao fim desse ano.










Maior planeta do sistema solar, Júpiter é enorme: sua massa  é superior à massa de todos os outros corpos do sistema solar, excluindo o Sol. À noite, o seu brilho só é ultrapassado por Vénus, pela Lua e, às vezes, por Marte. Júpiter é 300 vezes mais maciço que a Terra e está cinco vezes mais longe do Sol que o nosso planeta. Também é conhecido por ter o dia mais curto de todos os planetas e por orbitar o Sol uma vez a cada 11,8 anos terrestres.

ANTIGOS
Ainda no século 7 ou 8 AC, os antigos babilônios foram os primeiros a registrar observações de Júpiter, que eles chamaram de Marduk, um deus da Mesopotâmia patrono da cidade de Babilônia.
Os gregos batizaram o corpo celeste com o nome de Zeus, o deus do trovão. Os romanos chamavam o mesmo deus de Júpiter, assim, o planeta recebeu o nome dele. Em 1610, Galileu, que foi o primeiro a usar o telescópio na observação de estrelas, descobriu as luas de Júpiter: Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Hoje em dia, estas são chamadas de luas de Galileu. Suas descobertas ajudaram a apoiar a teoria de Copérnico de que a Terra não era o centro do Universo.




















Interessante é que, na mitologia romana, Juno é casada com Júpiter. Ele é o rei e ela a rainha dos deuses. O sexto mês do ano, Junho, tem esse nome em sua homenagem. Ela é representada pelo pavão, sua ave favorita.

Juno também pode ver através das nuvens e sempre consegue convencer o marido a fazer o que ela quer... Acho tudo bem simbólico...
E diz que em Jupiter existe a aurora boreal mais linda de todo o universo...
A Nasa até divulgou um vídeo:


sexta-feira, 1 de julho de 2016

70 anos de biquini...




Há 70 anos o engenheiro mecânico francês Louis Réard inventou o biquíni. Réard trabalhava na fábrica de lingerie de sua mãe, e um dia, por acaso, juntou alguns pedaços de pano que tinham sobrado, e criou uma roupa de banho muito diferente, o maiô de duas peças, logo batizado de biquíni.
O nome foi uma homenagem ao Atol de Bikini, no Pacífico, onde os americanos tinham uma base militar durante a Segunda Guerra, e onde testaram uma bomba atômica.















Micheline Bernardini foi a primeira mulher a desfilar com o traje, na borda de uma piscina pública de Paris, no dia 1 de julho de 1946. Ela era bailarina e stripper e foi escolhida porque nenhuma modelo aceitou usar um traje de banho tão pequeno, “quatro triângulos de nada”, como um jornal da época descreveu.
O que o modelo tinha de tão impressionante? Colocava o umbigo de fora pela primeira vez! O biquíni de Réard era estampado e bem feio, mas causou impacto profundo. Ganhou inimigos na igreja, na imprensa, nas famílias tradicionais. Chegou a ser proibido em alguns países...  


















Mas essa resistência durou pouco. E a sua popularização se deu com uma pequena modificação na calcinha do biquini (que ficou um pouco maior nas laterais) e a adesão de estrelas do cinema americano, como Marilyn Monroe, Jane Mansfield, Rita Hayworth. E Brigitte Bardot, que eternizou o biquini de xadrez azul e branco e babadinhos no filme E Deus Criou a Mulher. Sem esquecer de Ursula Andress e seu icônico biquíni com um cinto, no primeiro filme da série James Bond 007 Contra o Satânico Dr No. 



































NO BRASIL
Aqui, o biquíni começou a ser usado no final dos anos 50, pelas bailarinas e vedetes do teatro de revistas e depois pelas mulheres mais ousadinhas. 
Quando assumiu a Presidência da República, em 1960, Jânio Quadros logo proibiu o uso de maiôs em concursos de beleza e de biquínis nas praias. Mas a proibição caiu junto com o presidente, que só durou um ano no mandato. E as praias nunca viram tantos e tão interessantes biquínis, que ficaram famosos.
Teve principalmente o da Garota de Ipanema Helô Pinheiro e o da atriz Leila Diniz, que exibiu orgulhosa sua gravidez de seis meses na praia e no calçadão de Ipanema, tornando-se um símbolo da libertação feminina no início dos anos 70.




























Foi no Brasil que o biquíni reinou e procriou muitos filhotes. Todas as garotas, principalmente as que viveram na praia, lembram dos biquínis  "de lacinho", os "enroladinhos", os de "cortininha"... Os "asa delta" e '"fio dental", que tiveram vida curta, talvez porque eram muito feios mesmo. 

E teve as "tangas", que existem até hoje. Aliás ouvi dizer que são usadas apenas por aqui, pois as mulheres não brasileiras preferem biquinis com as calcinhas mais altas.
As tangas são a cara de nosso país pra muitos estrangeiros...






















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Uma coisa que eu não sabia: o maiô de duas peças já era usado no mundo greco-romano, no terceiro século antes de Cristo. Este mosaico, descoberto em Villa Romana del Casale, na Itália, é uma prova disto. 
Seus milhares de ladrilhos coloridos mostram mulheres praticando esportes e se exercitando na praia de biquíni...