sábado, 21 de maio de 2016

Luz do Sol

Dormi de cansaço, com meu filho mais novo nos braços.
Exaustos os dois. Foi uma noite complicada. Um sono picadinho, eu acordando ao menor movimento que ele fazia.
Devo dizer que ele é todo diferente.
Tem crises frequentes de insônia, onde já bateu o recorde de três dias e três noites sem dormir.
E dias de profunda depressão, sem conseguir levantar da cama e encarar o mundo.
O nome disso é transtorno bipolar de humor e as pessoas normalmente confundem com preguiça, ou com acomodação, ou mesmo com fingimento.
Sabem de nada essas pessoas.

Ele ainda por cima tem epilepsia, com crises periódicas bem fortes, tratadas com remédios igualmente fortes, que lhe deixam com gastrite, tremor nas mãos e ultimamente com uma queda de cabelos. Ele odeia tomar os remédios, dois de manhã e dois à noite, e as vezes faz de conta e joga fora e as coisas pioram um bocadinho.
Isso não é mesmo bom, mas até que entendo.

Ele é meu filho e tenho por ele o maior amor desse mundo, embora muitas vezes não consiga entrar em seu mundo hermeticamente fechado. Foi assim desde pequeno... Ele só falou as primeiras palavras com quase cinco anos. A gente achava que ele era mudo, mas nada disso, pra ele era apenas mais fácil dizer com o olhar, já que nós o entendíamos e amávamos tanto. Quando falou pela primeira vez já foi com a frase completa: "posso tomar um suco'? :D
A primeira crise epilética foi ainda bebê, os médicos diziam que era apenas 'convulsão de febre', mas isso não foi bem assim. E o transtorno de humor só conseguimos diagnosticar bem mais tarde. Os dois polos do humor se alternam e ele vive em permanente estado de alerta, com os nervos à flor da pele, e a auto estima baixa, se achando a pior pessoa do mundo, a mais feia, e a mais burra. Querendo morrer "porque o mundo com certeza vai ficar melhor sem mim"...
Ele já tentou fazer isso duas vezes, se cortando e com excesso de remédios.
Cheguei a tempo.

Os irmãos dão a maior força, mas no final é só eu e ele. Para sempre.
Nessas horas de trevas e sofrimento, como ontem, eu só faço dar um abraço bem apertado, coração no coração, resistindo aos seus movimentos desencontrados pra se soltar e apertando bem, 'tou aqui, sou eu', até que ele relaxa e eu tento levá-lo pra cama. Ele é um homem e é grande, bem maior do que eu, mas teve um dia que carreguei como se ele fosse ainda uma criancinha. Não sei como consegui. No dia seguinte estava dolorida e cheia de hematomas.
Amor de mãe.

Às vezes é tudo muito difícil, mas a gente não desiste não. Quero que ele seja feliz, que possa mostrar ao mundo como é inteligente, bonito, amoroso e engraçado. Como é tão bom ser seu amigo. Quero que as pessoas não julguem tanto, não virem as costas... As vezes um sorriso de entendimento, um olho no olho, um abraço, um toquezinho de carinho nas costas, deixam ele feliz por muitos dias e a mim também.
É tão fácil fazer isso. Custa nada, não.
E a gente aprende tanto...

Sim, é um desabafo, apenas isso. Acho que é porque estou meio cansada e botar pra fora alivia. A vidinha aqui é uma eterna busca de delicadezas pra manter a alegria de viver. Pra poder agradecer todo dia - porque estamos vivos e aprendendo muito, sobre tolerância, respeito à diferença, solidariedade.
E entendendo que sempre tem gente vivendo experiências muito piores que a nossa. Tem gente morrendo, por exemplo.

<3


> na foto - célula de neuronio (cor de rosa), com várias sinapses (azul). a comunicação de um neurônio pra outro se dá através da sinapse.




sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Jaburu

Piadinha em Brasília:
- Alô, é do Palácio do Jaburu?
- Sim...
- O Jaburu está?

:D

--
O Palácio do Jaburu ganhou esse estranho nome por causa da lagoa em frente, ponto de pouso na rota de aves migratórias, que atraem ornitólogos brasileiros em determinada época do ano.

É o mais feiosinho dos palácios da cidade.
Foi construído 17 anos depois de Brasilia, em 1977, por exigência do então ditador militar General Geisel, para abrigar seu vice.
Acho que o Niemeyer se vingou fazendo esse palácio bem diferente dos outros.

Mas ainda assim é uma construção e tanto. Toda de concreto e vidro, mas cercada de verde e água por todos os lados... Burle Marx fez seus jardins com plantas do cerrado, esse misterioso bioma tão diferente da Mata Atlântica a que a gente está acostumada. Uma área verde lindíssima, na beira da água.
Nem sei se o interino gosta de pescar, passear de barco ou mergulhar na Lagoa, que tem águas limpas. Ou se percebe o privilégio que é conviver tão de perto assim com a natureza.
Mas devia, porque a época de seca em Brasilia é terrivel.


Se eu morasse no Jaburu, acampava no meio das plantas, porque pra mim a parte interna do palácio é muito fria e bem feia.
E acima de tudo é muito cafooooona...












quinta-feira, 19 de maio de 2016

Central do Textão


















Adoro textão. Escrever e ler textão, principalmente de blogs.
Por isso acho essa ideia de juntar tudo no mesmo endereço, uma coisa digna de uma palma de ouro em Cannes. Porque a gente fica querendo ler tanta coisa, mas não tem tempo de procurar e acaba perdendo textões ótimos. E agora encontra tudo num lugar só.
Bem bom mesmo...

Antigamente era mais fácil. Tenho blog desde 2003, e não eram tantas pessoas assim, que eu queria ler. Tinha o Inagaki, tinha o Nemo Nox, o Amarula com Sucrilhos, o DharmaLog, do Nando, o Blowg, da Marina, as Fridas, que vieram logo depois de mim, o Catarro Verde, o blog da Fer Guimarães Rosa, da Giu, da Fal, do Hiro, do Jean Boechat, o Sindrome de Estocolmo, a Mary Feminista Beauvoiriana (rs) e alguns outros que não me lembro.  E era como uma turminha, a gente se lia e comentava e a pessoa demorava um pouco pra responder e a gente demorava outro pouco pra ler... tudo indo na valsa, como o próprio tempo corria naquela época. Embalados pela conexão quase discada que demorava um tempão pra abrir ou enviar. Uma aventura.

Eu na verdade tinha três blogs. O "Tudo Pode Acontecer" era o primeiro e o principal, aonde eu falava quase sempre de musica e teatro, e contava os bastidores de minhas excursões com os artistas, as fofocas, as novidades. Durou alguns anos, até a morte do Ivan, quando parei. Tinha também o "Vitrola da BethS", só de musica, com download para discos fora de catálogo, alguns raros, sempre com uma historinha. A sanha punitiva para downloads online acabou com esse blog, mas ainda recebo emails de pessoas comentando e pedindo pra ele voltar. O terceiro blog teve vida mais curta, era o "Na Cozinha", só com receitas de comida vegetariana.

Fiquei quase dois anos sem blogar, mas quando chegaram as redes sociais, com aquela pressa, com textinhos curtos e provocantes, me deu a maior saudade. O barulho do ambiente ficou muitas vezes insuportável, a turminha virou uma platéia de Rock'in'Rio... Difícil de encarar, quando você só quer o João Gilberto. Ou, melhor ainda, o silêncio... 
E foi assim que criei o "Fragmentos", o blog novo, onde tem de tudo um pouco, o que me interessa no momento. Tem texto, textinho e textão. E fotos e vídeos. Nunca abri pra geral, mantive escondidinho sei la porque. Acho que estava escrevendo mesmo era só pra mim.

Mas essa proposta da Tina Lopes é boa demais. E assim é que estou exibindo meus fragmentos em público, meio timida, mas na maior alegria desse mundo.
Encontrei a minha turma...

PS - Gostei muito da logo do blog...




quarta-feira, 18 de maio de 2016

A Primeira Pedra



As Curvas de Brasília


Já viram uns moveis vintage de desenho impecável, que trazem na frente as colunas das construções de Brasília, criadas por Oscar Niemeyer? São lindos, não é? Esses moveis tem história e foram criados em 1961, especialmente para participar da famosa feira Expo 62, em Seattle, nos Estados Unidos, quando o mundo ficou conhecendo o que poderia ser a civilização do século 21.
Só pra vocês terem uma ideia, quando Brasília foi construída (de 1956 a 1960), o mundo fervilhava com a ideia de novas tecnologias e conhecimento cientifico. Em 1957 a Rússia tinha acabado de lançar no espaço o primeiro satélite artificial da humanidade, de nome Sputnik, que caiu depois de três meses fazendo bip-bip no espaço. E no ano seguinte os Estados Unidos criaram a NASA, agencia especializada em exploração espacial.
Só se falava de futuro no início dos anos 60, e em século 21, espaço sideral, seres extraterrestres... e a nova capital do Brasil era a materialização de todas essas ideias. A imprensa internacional na época chamava a cidade de Lucio Costa e Oscar Niemeyer de “a capital do ano 2000”, “uma das cidades mais originais e emocionantes do século 20”, o “protótipo urbano de uma nova civilização”.

Por isso nada mais coerente que Brasília, a nova capital, representasse o Brasil na “Exposição do Século 21”, mais conhecida como Expo 62, uma feira internacional gigantesca, que reunia cientistas e criadores de vários países, mostrando as projeções para o futuro nas áreas de indústria e comercio, armamentos, eletrodomésticos, automóveis e entretenimento. A feira foi um enorme sucesso. Inaugurada pelo presidente Kennedy, ficou seis meses aberta ao público, atraindo cerca de 10 milhões de visitantes. Dos produtos apresentados nessa feira, alguns ficaram para sempre: os precursores do computador portátil, os fornos de micro ondas e o desenho animado Os Jetsons.
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Foi dentro desse contexto que a indústria Broyhill, do Missouri, criou a sua linha de móveis especiais para a feira, de nome Broyhill Brasilia. Essa empresa fez algumas grandes linhas de mobiliário na década de 60, e uma das mais populares do vintage foi a BroyhillBrasília. O sucesso foi imediato e colaborou para que a classe média americana, de costa a costa, mobiliasse suas residências, agora refrigeradas, com as ‘curvas arrebatadoras e linhas limpas’, da capital brasileira. Os moveis venderam muito, foram o carro chefe da empresa por todos os anos 60, até pararem de ser fabricados em 1970.
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Nos folhetos de lançamento da linha na feira de Seattle, os fabricantes informam que discutiram com Niemeyer durante dois anos para chegar ao design das peças, o que transforma os móveis Broyhill Brasilia nos primeiros produtos com direitos autorais na área do design de mobiliário no mundo.
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Os móveis são feitos em nogueira, com inspiração nas colunas do Palácio da Alvorada e da Catedral Metropolitana. As curvas de Niemeyer estão presentes nas portas de armários, nas estantes, nas frentes de gavetas, pernas de mesas e encostos de cadeiras e até nos puxadores feitos em bronze, delicados e fortes ao mesmo tempo.

Como deixaram de ser fabricados nos anos 70, são hoje artigos de colecionador, vendidos em leilões e antiquários por preços muito altos. Existem até negociantes especializados nessa linha, muito procurados por colecionadores em sites na internet. Eu já vi uma lindíssima estante Broyhill Brasilia num antiquário do Rio, e foi nesse momento que me apaixonei...Pra quem tiver uma graninha mais folgada e facilidade com transporte internacional, os móveis Broyhill Brasilia tambem podem ser encontrados na Etsy e no E-Bay. Aqui no Brasil só procurando em antiquários especializados em móveis vintage...


















terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Doce de Amor

A bela rainha  Nefertiti (1370 aC - 1330 aC), foi esposa do faraó egípcio Akhenaton. 
Nefertiti teve muitos títulos: 'Senhora da Graça', 'Doce de Amor', 'Senhora da Terra Dois', 'E
sposa e Amada do Rei Principal', 'Senhora de Todas as Mulheres' e 'Amante do Alto e Baixo Egito'. 
Esse busto da rainha, feito de pedra calcária pintada, foi encontrado em 1912 em Amarna e hoje se encontra no Museu Egipcio de Berlim, na Alemanha.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

As aves de Musco

O artista italiano Angelo Musco é o criador desse trabalho surpreendente.
Suas imagens de penas que flutuam no ar são feitas a partir de fotos de milhares de corpos nus. A série de nome “As Aves”, é composta por nove imagens que simbolizam os nove meses de gestação humana.
Em cada imagem, o artista utiliza milhares de modelos voluntários que se cadastram no seu site.

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