domingo, 12 de junho de 2016

Saber beijar é uma arte





















O Dia dos Namorados aqui no Brasil é um lance comercial, uma data fake, criada em 1949 pelo publicitário João Dória, pai daquele que quer ser prefeito de São Paulo. 
Seus clientes comerciantes se queixavam que em junho as vendas caíam porque era um mês sem data comemorativa. João Dória então copiou o Valentine’s Day americano, trocando o 14 de fevereiro para 12 de junho. Porque o dia seguinte era dedicado a Santo Antonio, o “santo casamenteiro”. 
Boa sacada cara pálida, mas puramente comercial.
O slogan da primeira campanha era: “não é só de beijos que vive o amor”.

















Sabe de nada esse João Dória. O beijo, sim, pode ser a coisa mais importante no comecinho de uma relação de amor. Quando a gente beija uma pessoa pela primeira vez, é o teste. Se for aquele contato duro, dominador, insensível, ou inseguro, sem prática – melhor dispensar. Mas aqueles beijos espertos, que congelam o tempo, em que as duas bocas se lambem, se mordem, se chupam, se tocam com cumplicidade e dão calafrios na espinha... ah, nem preciso dizer mais nada. A gente sabe. Nem que seja pra acabar logo ali adiante, aquele amor vai ser infinito enquanto durar.
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Falando em beijos, me lembrei de um livrinho do kamasutra que fala dos melhores tipos de beijo que duas pessoas podem desfrutar. A maioria deles a gente conhece, mas outros são ótimas dicas.

BEIJO DE LADO As cabeças das duas pessoas se inclinam em direções opostas para o beijo, o que permite uma penetração profunda da língua. É o mais comum, que a gente sempre vê no cinema. Mas é muito bom.

BEIJO DIRETO Os lábios dos dois se unem diretamente e se chupam como se fossem uma fruta madura (ui!). É um tipo de beijo em que o importante é que além de serem chupados, os lábios sejam mordiscados e levemente acariciados com a língua. É um beijo carregado de paixão...















BEIJO PRESSÃO Os lábios se pressionam fortemente com a boca fechada. Pode parecer agressivo, mas tem gente que gosta. Os dentes se cravam na parte interior dos lábios e pode sair sangue. É bom que seja rápido.


BEIJO SUPERIOR Um dos dois pega o lábio superior com seus dentes e o outro devolve o “carinho” beijando-lhe o lábio inferior. Na descrição deste beijo fala-se que uma pessoa deve tomar a iniciativa e o outro se limita a correspondê-la.

BEIJO BROCHE Um dos dois se prende aos lábios da outra pessoa, isso é chamado de beijo broche. E se o que realiza o beijo toca seus dentes, a gengiva ou o céu da boca com a língua, esse beijo chama-se “luta de língua”.

BEIJO PALPITANTE Um dos dois deposita sobre os lábios milhares de beijos bem pequenos, mil selinhos, percorrendo toda a boca e a junção dos lábios.



BEIJO CONTATO Quando se toca ligeiramente com a língua a boca do outro e faz apenas contato com os lábios.

BEIJO PARA ACENDER A CHAMA É o beijo na junção dos lábios que costuma ser dado no meio da noite com segundas intenções.

BEIJO PARA DISTRAIR O beijo ideal para quando vocês estiverem assistindo tv e a pessoa quer chamar a atenção. Nem todos os beijos precisam ser na boca. Pode ser na testa, nos olhos, nas bochechas, no peito, nos seios, abaixo da boca, na cabeça, na nuca e o pescoço junto com a clavícula.





















BEIJO COM UM DEDO Quando percorre a boca da outra pessoa por dentro e por fora com um dedo.

BEIJO COM DOIS DEDOS Quando fecha dois dedos, molha-os ligeiramente nos lábios da amada e faz uma pressão sobre sua boca.

BEIJO QUE DESPERTA O beijo que se dá nas têmporas, próximo da raiz do cabelo, quando está dormindo, para acordar a pessoa suavemente.

BEIJO QUE DEMONSTRA Normalmente é dado à noite e em lugares públicos. Um dos dois se aproxima do outro e o beija suavemente na mão ou no pescoço, pra todo mundo saber que um é o crush do outro.

Com tantas alternativas, vamos praticar?



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Melhor que o silêncio só João...
















O dia 10 de junho é dedicado a João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, que esse ano faz 85 anos da mais de pura genialidade, o artista que eu mais amo e admiro em toda a música brasileira. 
Pixinguinha chega perto, mas ele é rei, de coroa e tudo... 

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Quando ainda morava no Recife, eu e Ivan tínhamos o sonho de fazer um show com ele num ótimo teatro, com todos os cuidados de silêncio e som a que ele tinha direito. O empresário era nosso amigo, e deu carta branca, depois de discutirmos detalhes das apresentações. Só faltava o João topar.

E foram se passando semanas, meses, e a gente ficando na aflição, porque precisávamos da antecedência pra reservar pauta no teatro, preparar mídia de divulgação e outras necessidades de produção. Foi por isso que pegamos o telefone da casa dele, para tentarmos alguma coisa pessoalmente.
Foi Ivan quem ligou, bem tarde da noite, como nos aconselhou o empresário, uma vez que ele sofre de insônia. 
- Alô, é o João? Aqui é o Ivan, estou falando do Recife, a pedido de fulano (empresário). Queria conversar com você sobre uma apresentação aqui na cidade... Você tem muitos fãs aqui e todos estão ansiosos pra lhe ver ao vivo...
- Ah, Recife, que cidade maravilhosa! Tenho alguns amigos aí, faz tempo que não os vejo... você conhece sicrano? Ele morava no bairro tal, o pai dele tinha uma padaria e se chamava beltrano...

E assim a conversa foi se prolongando até tarde, segundo Ivan uma conversa deliciosa, parecia que eram velhos conhecidos os dois, um de libra e um de gêmeos, dois signos de ar.
Todo dia Ivan ligava, ou ele ligava lá pra casa, sempre depois da meia noite, e o papo rolava, sobre música, sobre grandes cantores, sobre lutas de boxe, sobre astrologia (!!)... Mas nada sobre confirmar a data da apresentação no Recife.
Até que Ivan foi direto:
- João, a gente precisa confirmar o show. Vamos fazer?
- Ah, Ivanzinho, não vai dar... Sabe por que? Não gosto de andar de avião...

E foi assim que NUNCA produzimos nosso artista predileto. Ele e Ivan ainda se falaram ao telefone depois disso, mas as conversas foram rareando até acabar.

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Assistimos cinco shows de João ao longo dos anos, eu e Ivan, emocionados e em silencio, para não perder nada daquele violão preciso e exato e do canto personalíssimo, quase sussurrante, como se cantasse só pro nosso prazer. As músicas do repertorio eram quase sempre as mesmas, mas ele tem a capacidade de reinventa-las a cada vez que canta e elas se transformam em inéditas. Quem mais consegue fazer isso?

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Uma vez me ofereci pra ajudar na produção local de um show dele em Brasília, sem remuneração, só pra poder vê-lo de perto. Ivan já estava doente e o show não era nosso, mas os produtores eram amigos e concordaram... Assim, posso garantir: aquelas coisas excêntricas de ar condicionado desligado ou silencio absoluto na plateia senão ele vai embora é invenção pura... A única exigência que ele fez foram microfones austríacos de uma determinada marca, pra voz e violão... O que é mais do que natural: são microfones excepcionais para um artista genial e perfeccionista, que se apresenta sozinho no palco... Pra mim isso é profissionalismo e respeito ao público...

Pra quem o viu de perto, João Gilberto é um senhor simples e carinhoso, que prefere ficar quieto no camarim, mas que trata as pessoas sempre no diminutivo (como Vinicius) e tem muita atenção com os trabalhadores invisíveis de uma produção. E isso é raro e admirável.
O pessoal do backstage ficou fã. 
E a plateia fez silencio absoluto o show inteiro, naturalmente...

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Parabéns João, que você viva ainda muitos anos!!


quinta-feira, 9 de junho de 2016

"Você pode até ter pesadelos, mas não pare de sonhar"... (Pagu)




























Hoje é dia de celebrar o aniversário de 106 anos de Patrícia Galvão, a Pagu, uma das mulheres mais surpreendentes do Brasil.  Ela foi tantas coisas...Escritora, jornalista, diretora de teatro, desenhista, feminista, militante política, a primeira mulher presa política do país, viajou o mundo, conviveu com as figuras mais importantes das artes e da cultura de vários países e uma porção de coisas mais.
Sua entrega ao que acreditava foi uma grande inspiração na minha adolescência e juventude... Tenho a maior admiração por ela.
A história de Pagu  foi contada em filme, em fotografias, peça de teatro m livros, e em muitos textos maravilhosos, muito melhores que esse meu, que podem ser encontrados facilmente na internet. 

























Me interessei muito por um lado da Pagu que não é muito conhecido: a de desenhista de quadrinhos.
Em 1931, Pagu e Oswald de Andrade, seu companheiro, lançaram em São Paulo o jornal ‘O Homem do Povo’, através do qual faziam críticas severas, bem-humoradas e acima de tudo polêmicas, à sociedade paulista da época.
Pagu dirigiu a publicação, ilustrou, assinou a coluna ‘A Mulher do Povo’ e fez tiras para cada uma das edições. A coluna era feminista, onde ela criticava as mulheres ‘pequeno-burguesas’ e reclamava por novas posturas, sexualmente libertárias, direcionadas a uma reflexão sobre a mulher em seu sentido mais global.

As tiras eram bem polêmicas. Sob o titulo  de  ‘Malakabeça, Fanika e Kabelluda’, contavam a história de um casal rico que não teve filhos e por isso adotou a sobrinha pobre, a Kabelluda.
A garota é moderna e protagoniza cenas de subversão e contestação dos valores morais da sociedade do início do século XX, me lembra muitos personagens reais do nosso século XXI.
O desenho não é proporcional e nem detalhista, e todos vem acompanhado de legendas, características dos quadrinhos antigos.
Alguns críticos acham que Pagu copiou o estilo de Tarsila ao desenhar, e realmente lembra um pouco. Mas Tarsila era amiga dela, e também foi casada com Oswald de Andrade, por isso não é de se estranhar a pequena semelhança. Mas cada tira trás consigo a personalidade de Pagu.
São oito tiras, uma pra cada edição do jornal, que foram resgatadas anos depois, por um colecionador.



















Depois de causar muita polêmica em oito edições na aristocrática cidade de São Paulo, o jornal daquele casal de intelectuais comunistas foi proibido pela policia de Vargas e destruído pelos estudantes caretas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. 
Viva Pagu!

terça-feira, 7 de junho de 2016

Cada dia mais longe...



























Já contei do dono da casa onde moro, aqui na roça, aquele velhinho paraibano que está com Alzheimer e de sua mulher por 65 anos, que cuida dele como se fosse um filho. Muito queridos os dois.
Hoje fui vê-los, levando as últimas tangerinas do quintal numa sacolinha. Pra saber das novas, pra bater papo, pra dar um apoio moral,
Ela me deixou entrar e na luz clara pude ver que estava chorando. Ainda tinha lagriminhas no rosto. Ele estava sentado quase deitado na sala, numa poltrona de reclinar, alheio a tudo, as mãos largadas no colo.

- Ele tá cada dia mais longe, ela disse. As vezes não reconhece nem os filhos, só tem contato comigo.
É visível que a doença dele está num estágio bem adiantado e é isso que perturba. Ela não aceita que tenha sido tão rápido.  
- Até dois meses, mesmo doente ele fazia as coisas em casa, consertava uma coisa ou outra, cuidava das plantas, me ajudava na cozinha... hoje não dá mais. Ele fala que tem vontade de fazer, mas não consegue. Tem hora que ele sabe tudo e hora que não sabe nada, some tudo, sai fora do ar.
Deve ser mesmo difícil lidar com isso, não sei se conseguiria. E ela vive isso meio sozinha, não aceita sequer a cuidadora que os filhos querem trazer. O cotidiano é difícil:
- Ele não faz nada sozinho, até pra comer tem que ficar vigiando, segurando o prato que vai virando, para não deixar a comida cair na barriga. E de noite, quando ele acaba de comer primeiro do que eu, não posso comer mais, eu tenho que parar e levar ele no banheiro, dar um banho, dar o remédio... tiro os dentinhos dele e lavo e guardo para ele dormir...
Ela tá cansada, passa o dia nessa peleja e também já é idosa. Três vezes na semana os filhos trazem comida pra congelar e algum deles fica com a mãe pra ajudar em alguma coisa. Mas mesmo essa ajuda é pouca, ele não faz nada sem ela, a toda hora fica chamando...

Não conheci outros casos de alzheimer na vida real, só esse, e posso ver que é uma doença muito barra pesada. Como nenhuma outra, envolve a família inteira em perdas diárias, transformando as relações, criando situações dramáticas, como quando ele saiu sozinho e se perdeu... e até ser encontrado, ficam todos num desespero só... Com a urgência devastadora da doença, acho que as pessoas convivem diariamente com a morte, com o luto. Isso é terrível...

Mas a querida velhinha, que vai fazer 89 ano no mês que vem, segura a barra com muita dignidade e fortaleza. Ela diz que faz isso por amor.
- Não reclamo não, não tenho raiva nem nada. A gente fica assim meio cansado porque
tem dia que ele não dorme, daí eu também não durmo, por isso fico cansada. Mas ele se alegra quando começa a falar das vezes que era novo e a gente namorava... e só comigo ele pode falar isso... eu sei que sou a vida dele, mas ele também é a minha vida. Meu primeiro e único amor. Quando ele se for, dia seguinte eu vou também...

A gente se despede dessa visita com o coração apertado e lágrimas nos olhos. Mas também com a certeza que faria a mesma coisa se isso acontecesse com o amor maior da nossa vida. Ultimamente estou falando muito de amor, porque tenho certeza absoluta que só ele faz a vida valer a pena.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

love

The greatest thing you'll ever learn
is just to love and be loved in return...

<3


sexta-feira, 3 de junho de 2016

O dia em que fiz par com o Djavan

























Tem coisas malucas que só acontecem comigo. Como por exemplo, no dia da posse do primeiro mandato de Lula.
Era réveillon de 2003, eu estava de pernas pro ar na Chapada dos Veadeiros, curtindo o feriado merecido, quando me ligou a empresária de Djavan. Abre um parêntese: não sou amicíssima dele, nem muito menos sou a tal. É que tinha um escritório de produção de eventos, todo mundo sabe disso, e Djavan era um artista com quem trabalhei muito. Fecha o parêntese.
Como eu ia dizendo, de manhã cedo ligou a empresária de Djavan, com quem estava sempre em contato. Ele tinha sido convidado pessoalmente por Lula para a posse, assim como vários artistas que estiveram na campanha. Ele chegaria duas da tarde em Brasilia, e precisava de um hotel e um carro à disposição. E o mais louco: precisava de uma companhia para ir à posse. No caso: eu.

Aí foi uma correria. Imagine voltar urgente pra Brasilia, num feriado, pra encontrar um apartamento em hotel que tivesse vaga, além de  um carro com ar e motorista. A cidade, é claro, estava lotada, principalmente os hotéis. As locadoras também.  E tudo precisava ser resolvido até as duas, quando deveria pegar Djavan no aeroporto. Vim ligando no carro mesmo, a adrenalina a mil, agendas de telefone aberta no colo, no banco, em todos os lugares. Suei, apelei pra deus e o mundo, mas consegui. Um ap no hotel mais caro da cidade, mas nessa hora foda-se o preço. E um quartinho onde dormia o segurança pra mim, também no mesmo hotel. O carro foi cedido por um amigo, que ia ser, ele próprio, o motorista. Era fã do Djavan...

Na hora marcada  fui buscar Djavan que estava excitadíssimo, como todos nós. Lula seria nosso próximo presidente! Deixei  ele no hotel e caí na real: caraca eu ia pra posse de Lula no Palácio do Planalto! E não tinha nada pra vestir! Sem muito pensar, corri pra casa, pra vasculhar o armário, ver qual mágica podia fazer. Tinha de usar vermelho, pensava. Mas não tinha nada vermelho no guarda roupa. Então vesti o primeiro pretinho que encontrei, com meias fumê e uma echarpe colorida. Pelo menos os scarpins eram vermelhos... A roupa mais clichê do mundo, simplória mesmo, mas tudo bem, a festa era popular, todo mundo bem à vontade.

A posse seria às 15h, no Congresso, Lula ia chegar no Planalto só lá pro fim da tarde. Mas a gente tinha sido avisado da burocracia, então saímos do hotel às três. Djavan me apareceu na recepção todo lindo e elegante, num  terno de um tipo de seda cor de rosa escuro, quase vinho, super bem cortado, com uma camisa marfim de gola alta. Tava um charme, chamava atenção... e ainda ficou dando voltinhas e perguntando ‘como estou?’... hahaha... sim, ele é um cara legal e a gente se dava bem.

Chegamos no Planalto, a entrada dos convidados era por trás, passando por muitas barreiras, mas tudo foi agilizado porque Djavan é um artista querido e muito conhecido. Depois de algumas voltas, chegamos no salão de recepções, já bem cheio. Muita gente conhecida do meio artístico, a maioria em pé, alguns garçons com bandejas e risadas. Um clima festivo e de tensão relaxada. 

E o tempo foi passando e Lula não chegava, o lance da burocracia da posse estava demorando demais. Djavan tinha gravação no Rio no dia seguinte bem cedo, o voo dele de volta estava marcado pras 20h, e claro que não ia dar tempo. Então precisei entrar numa sala tipo escritório, nem sei de quem era, pegar o telefone e virar produtora de novo. "Djavan, vôo da madrugada tá bom pra você?" E ele concordou sem nem pensar. Estava feliz... E eu fiquei nessa brincadeira um tempão, ligando, ligando, barganhando, propondo coisas, sou boa nisso... Consegui lugar num vôo da madrugada e fechei... ainda dava tempo pra ele voltar ao hotel e dar um pequeno relax, depois que saísse do palácio, nada mal Não tinha internet nem celulares confiáveis naquela época, é bom lembrar.

Isso demorou bastante e quando voltei o Lula já estava discursando no parlatório, no lado de fora. Uma multidão imensa ia ao delírio ali na frente, depois do alambrado. Aí me perdi de Djavan, mas arrumei um lugarzinho do lado de dentro, e vi tudo, extasiada. Uma hora me virei, e descobri que estava quase do lado do comandante Fidel Castro!  Um homem muito alto, de roupa civil e cabelos pintados. Fiquei emocionada, tive uma paixonite por ele e pelo Che na época da revolução cubana, eles eram nossos heróis. 

Não vi mais nenhum politico que me lembre, nenhum artista que me alegrasse o coração. Sei que o Chico e o Gil estavam, mas não vi, era muita gente... Mas ví Brizola, outro querido, dando entrevista aos jornalistas.
Fiquei por ali escutando, e me lembro bem da resposta que ele deu ao repórter, que perguntava se ele ia assumir a diretoria dos Correios. Ele negou, e disse mais ou menos assim:
- Só se for pra ser carteiro. Quero entregar só  cartas de amor pros brasileiros...
<3

Então, foi assim.
Isso é pra contentar um pouco o Claudio Luis, que o tempo inteiro fica me pedindo um livro...
rsrs


quinta-feira, 2 de junho de 2016

O equilíbrio precário de todo dia

Tirei o dia pra arrumar esse espaço em que trabalho - é muito papel, livro, pasta, disco de backup, canecas de chá vazias, embalagem de biscoito, contas a pagar... e os gatos adoram subir e deitar em cima da mesa na madrugada, por isso pode acrescentar à bagunça mais uma porção de pelos.
Fico querendo deixar tudo impecável, mas me perco olhando coisas, e é  claro que não vai dar tempo de terminar hoje. É sempre assim.
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E no meio desse caos em que me encontro no momento, me caiu nas mãos um texto sobre Eugenio Barba e o 'Equilíbrio Precário'.  É a tese de mestrado de uma amiga, uma "atriz buscadora", que estuda Antropologia Teatral. Gostei muito de ler quando recebi alguns anos atrás e hoje a sua releitura foi muito benvinda.






Barba é um dos mais importantes diretores de teatro contemporâneo do mundo, criador de um método de preparação de atores e bailarinos que ficou conhecido como Teatro Antropológico.
Entre outras idéias e enunciados, é de Barba a idéia do Equilíbrio Precário. Primeiro ele mostra que o equilíbrio é a capacidade que a gente tem de se manter ereto e se mover dessa maneira no espaço. Quando esse equilíbrio é ameaçado de alguma forma (como andar olhando pra cima, por exemplo), o corpo tem que criar uma série de tensões diferentes pra impedir que a gente caia.

O que Barba propõe é que o corpo do ator ou dançarino prolongue essa tensão, essa ameaça, até o limite máximo, como um elástico esticado, e de repente se solte. A partir daí, o ator precisa apenas confiar, relaxar e se entregar, obrigando o corpo a se reorganizar e ir buscar em memórias celulares o que ele sabe fazer com esforço mínimo (comer, respirar, beijar, por exemplo). 











A proposta é muito mais complexa que isso, envolvendo exercícios e técnicas que não domino bem. Mas em resumo, a ideia é um não movimento dentro do movimento. Intenso na sua simplicidade.
É uma técnica, que pode ser feita com as pernas, os pés, os braços. Ou mesmo um trabalho interior, tão eficaz quanto. Os atores e bailarinos treinam muito pra conseguir, mas os resultados são espetaculares. 

Relendo esse trabalho da minha amiga, fiquei com a certeza de que isso pode ser levado pra vida cotidiana de qualquer um. Da minha principalmente... 
Encontrar um nicho de segurança no meio do caos, da tensão permanente, do estresse. E relaxar.
Quem sabe a vida será mais fluente e menos dura. 

 Conheço uma musica italiana que fala justamente do equilíbrio precário...